terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Controlando a ansiedade

E nesses 56 dias que antecedem a viagem para o Canadá o maior desafio dentre uma centena de atividades a serem resolvidas, é controlar a ansiedade, minha e de toda a família (tá certo, Guilherme com seus 4 anos, nem sabe o que é Canadá, então ansiedade é algo que ele não está tendo). Durante o dia, me pego pensando em situações mais irreverentes possíveis, e se eu não me controlar, qualquer conversa com qualquer pessoa, transforma-se logo no assunto da mudança para o Canadá.

Durante a noite, dormir tem sido difícil, e com muita luta, tenho conseguido dormir 4 ou 5 horas por noite. Ver os dias passando e pensando que tem coisas que nós só vamos conseguir resolver bem próximo a data da viagem, é de não se conseguir dormir mesmo...

Ontem mesmo, comecei a praticar o desapego, e várias gavetas de cheias de papéis que vamos acumulando ao longo do tempo, foram parar em várias sacolas de lixo. Algumas coisas pequenas começamos a distribuir entre amigos e parentes. Os objetos maiores decidimos vender mesmo por preços bastante convidativos para quem quiser comprar. Carros e apartamento estão na fila de vendas também ! Ou seja, aqui em casa transformou-se num grande centro comercial.

Os livros farão parte de um final de semana dedicado a eles, e desapegar deles será uma tarefa bastante complicada, pois tenho-os desde a época da faculdade, e aí se vão quase 20 anos guardando esses livros e levando-os em cada mudança que fiz ao longo desses anos.

E enquanto o dia não chega, terei que ter muito autocontrole para não transferir minha ansiedade para as pessoas mais próximas, que não têm nada a ver com meu processo de mudança, ou até mesmo pessoas que serão indiretamente atingidos pela minha decisão.

E haja Rivotril !!! (Ps: não tomei ainda, mas, não sei se nos próximos dias continuarei a resistir)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Consultas e exames médicos

No processo do visto para qualquer das modalidades (estudo, trabalho ou residente permanente) que o tempo de permanência for superior a 6 meses, a realização de consulta médica e exames são obrigatórios para a concessão do visto.

Nós recebemos email do Consulado no dia 04 de fevereiro solicitando a avaliação médica e exames.  Na relação do Consulado de médicos credenciados para essa avaliação, a cidade mais próxima daqui de Aracaju era Salvador, e assim liguei para o médico para marcar a consulta.  Para avaliação de vistos canadenses ele só atendia dia de sexta feira, e  na primeira sexta feira, dia 08 de fevereiro, véspera de Carnaval no Brasil, mas em Salvador nada mais funcionava, ficando assim para a próxima sexta útil na Bahia, que foi dia 15 de fevereiro.

Chegamos à consulta, e o médico preencheu diversos formulários, fez vários questionamentos, pesou, mediu, aferiu a pressão arterial, e fez uma avaliação geral.  Após, pediu os exames (avaliação radiográfica do tórax, sumário de urina, HIV e VDRL), e esses exames foram feitos na própria clínica que ele atende.  No outro dia (sábado) fizemos os exames todos.  As crianças não precisaram fazer os exames, apenas o mais velho de 9 anos fez um sumário de urina.

Nesse mesmo momento, já recebemos as instruções quanto ao pagamento da taxa de envio dos resultados para a avaliação canadense em Ottawa, que são encaminhados através de uma transportadora credenciada, a TNT, e um custo bastante elevado de envio (R$ 480,00 para mandar as avaliações dos quatro da família).

Segundo informações da atendente da clínica, o prazo para envio seria de 7 a 10 dias, mas, até o dia de hoje, esses resultados ainda não foram encaminhados pela clínica.  Haja ansiedade !!! E faltam menos de 60 dias para o nosso embarque, e muitas pendências a serem resolvidas ainda, dependendo da chegada dos vistos para que possamos dar andamento.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Transparência x sigilo durante o processo

Após ler inúmeros blogs de famílias que fizeram o processo de migração para o Canadá, a grande maioria acha importante o sigilo das informações durante as etapas do processo, para evitar que a ansiedade que toma conta dos envolvidos possa se transformar em preocupação para as pessoas mais próximas, familiares e amigos.  Além disso, como o processo do visto é longo, e não há qualquer garantia de o visto ser aprovado pelo Consulado do Canadá.

Acompanhei blogs que foram criados sem que os nomes das pessoas envolvidas fossem divulgadas, sendo esse o meio do casal extravasar a ansiedade, os medos, e as dificuldades do processo, sem que as pessoas soubessem quem são as pessoas e evitar que fossem gerados comentários e especulações acerca do sonho do casal.  Por vezes, eu concordo que quando as pessoas ficam sabendo das pretensões do casal, as oportunidades no dia a dia começam a ser reduzidas ou mesmo extinguem-se.

Eu e Marcelia temos como característica querer dividir nossos projetos com as pessoas mais próximas a nós, e a família ficou logo sabendo do nosso projeto de migração para o Canadá.  Logo depois, compartilhamos com os amigos mais próximos, e com isso não tivemos como esconder mais nossa ansiedade com todas as fases que envolve o processo de visto e a preparação familiar para essa mudança.

Essa transparência termina nos trazendo alguns problemas, pois a nossa ansiedade termina contagiando as pessoas mais próximas.  Além disso, passamos a ser enjoados e chatos, pois esse processo de migração passa a ser o único assunto em qualquer conversa, seja em família, entre amigos, em festas ou mesmo no trabalho.  Por outro lado, acho que a gente teria tido uma "gastrite nervosa" se tivéssemos mantido o processo esse tempo todo em sigilo.

Esse blog só estará sendo publicado no momento que o processo estiver finalizado e os passaportes com os vistos já estiverem liberados, e as passagens Aracaju - Vancouver já estiverem compradas.  Além disso, aguardaremos que todas as pessoas que deveriam ficar sabendo através da gente acerca desse processo fiquem devidamente cientes, a fim de não ficarem sabendo somente através desse blog.

A escolha por Vancouver

Quando fizemos as inscrições para os processos seletivos dos cursos, escolhemos duas universidades, consideradas duas boas instituições de ensino canadense: a NAIT - The Northern Alberta Institute of Technology, que fica em Edmonton, e a BCIT - British Columbia Institute of Technology, que tem seus campi em Vancouver e Burnaby.  Tivemos resposta de aprovação do nosso processo seletivo da BCIT primeiro, e com isso, escolhemos Burnaby como a cidade que iremos fixar residência.

Burnaby é uma cidade que fica na região da Grande Vancouver, dista 16km do centro de Vancouver e são ligadas por um moderno sistema de transporte público, o Sky Train.  Além disso, o inverno na região de Vancouver não é tão rigoroso como na região de Alberta, e graças a recente mudança do casal Zé Maria e Leila, de Edmonton para Vancouver, alguns mitos acerca da cidade, foram sendo desfeitos.

Os sites vancouver.kijiji.ca e vancouver.en.craiglist.ca passaram a fazer parte dos meus sites favoritos em busca de um novo lar.

E a vida agora continua para ir desfazendo aos poucos a enorme quantidade de pendências rumo a Vancouver !!!

Viagem de reconhecimento ao Canadá

Já com o objetivo em mente de migração para o Canadá, e já dando andamento no processo de documentação para aplicação ao visto canadense, decidimos ir conhecer o país que moraríamos.  E assim, reduzimos o tempo que passaríamos em uma viagem em família a Nova York, e fomos para o Canadá no ínício do mês de novembro/2012.  Fomos conhecer a região da província de Alberta, uma das 9 províncias canadenses.  Descemos no aeroporto de Calgary, para fazer conexão para Edmonton, capital da província. Já no aeroporto de Calgary, as primeiras impressões canadenses, que nos deixaram maravilhados, vendo muitas pessoas com idade dos meus avós (mais de 75 anos de idade), recepcionando os passageiros no aeroporto, de forma muito educada e com grande prazer em estarem trabalhando.


Chegada no aeroporto de Edmonton


A estrutura para o frio foi constatada logo no aeroporto também.  Chegamos em meio a uma nevasca, e descemos no aeroporto e se trafega em todos os lugares já aquecidos, e fechados preparados para grandes períodos com temperaturas negativas.


Chegada em Edmonton


Já em Edmonton, no aeroporto, as esteiras que trazem as malas ficam em meio ao saguão principal do aeroporto, e não numa área fechada de desembarque.  Não precisa nem dizer que ninguém pega na bagagem de outras pessoas.  Anexo ao aeroporto, uma área apenas para locadoras de veículos, e com um rápido cadastro, utilizando a carteira de habilitação brasileira mesmo, a funcionária da Alamo me deu o contrato e a área específica onde estava o carro.  Um grande estacionamento dividido por sinalizações com os nomes das locadoras, e subdivididos por tipo de veículo, onde escolhemos o carro de acordo com o grupo que contratamos, e entramos no carro e a chave já fica na ignição.  Dali, com o GPS já devidamente programado, tive minha primeira experiência em dirigir em meio a uma nevasca, com as ruas totalmente cheias de neve, dirigindo devagar, mas, aos poucos percebi que não é nenhum bicho de sete cabeças, até porque não tem buracos nas ruas, e dirigir na neve assemelha-se a dirigir nas areias de praia.

Apesar de nesse período estar começando o inverno na região, pegamos já -16 graus, e outra constatação é que, sem vento, essa temperatura não é algo tenebroso também para viver a vida normal.  A cidade continua com a sua vida normal, e todos os lugares altamente preparados para essas temperaturas ou até mesmo, para temperaturas muito mais baixas.


Praia artificial dentro do West Edmonton Mall, o maior shopping das Américas



Conhecemos os supermercados, lojas de departamentos, escolas para crianças, universidades, percorremos toda a linha do metrô da cidade, conhecemos o funcionamento do transporte público, restaurantes, clubes, academia e um dos maiores shoppings do mundo, o West Edmonton Mall, que tem até parque aquático, pista de patinação no gelo, cinemas, teatros, e tudo o que se imaginar de entretenimento.  Mas, nossa visita a Edmonton não foi turística, e sim exploratória, e como havíamos nos inscrito num processo de seleção para cursos de MBA e de inglês na NAIT, universidade que fica em Edmonton, fomos conhecer de perto a universidade e ver a dimensão dos mais de 20 prédios integrados reunindo todo tipo de faculdade e cursos, laboratórios, áreas de integração de estudantes, esportes, numa estrutura fantástica.


Escola pública de ensino fundamental


Levei em Edmonton minha primeira multa no Canadá... Lá tem alguns dias que fica proibido estacionar ao longo de algumas ruas, para que eles passem as máquinas para limpar a neve e nesse dia eles avisam na cidade toda que ninguém estacione naquelas ruas.  Eu estacionei e quando retornei a multa estava lá no vidro.  Entrei no site da prefeitura de Edmonton e paguei a multa no cartão de crédito.

Não podemos deixar de agradecer a receptividade que tivemos por parte dos nossos amigos daqui de Sergipe que nos mostraram a cidade de Edmonton e nos receberem com tanto carinho, o Zé Maria e Leila (http://www.movingupnorth.blogspot.com.br/), e o querido Artur que fez até vídeo para a gente mostrar a Vitor aqui no Brasil como é a vida dele na escola lá no Canadá.  Mas, também ao casal Luciano e Sílvia (http://aventuracanadense.blogspot.com.br/), que só acompanhava virtualmente o site deles e que nos receberam para um jantar e um vinho maravilhoso na casa deles.  Também a Mirna que tomou café da manhã conosco na Tim Hortons, tradição lá no Canadá para o café da manhã, e nos contou sua longa história rumo ao sonho de morar no Canadá.  Ficamos fascinados pela história de vida da Mirna, que quase perdemos a hora para irmos ao aeroporto pegar o voo de volta ao Brasil.


Com os casais Zé Maria e Leila, e Luciano e Sílvia


Com a Mirna


Voltamos de Edmonton conscientes do frio rigoroso, mas, apaixonados pela cidade, e pelo Canadá ! Ao embarcar de volta no voo da Air Canada, tivemos a certeza que voltaríamos em breve para morar naquele país onde tudo impressiona pela organização, eficiência e educação das pessoas.

Quem Somos

Sou um baiano, atualmente com 36 anos, radicado em Aracaju há quase 30 anos, analista de sistemas de formação, mestre em Gestão de Recursos Humanos, bancário, mas trabalhando na área de gestão de saúde há mais de 12 anos.  Desde janeiro/2007 exerço a função de presidente do Ipesaúde, plano de saúde dos servidores públicos do Estado de Sergipe.  Casado com Marcelia, desde 1999, temos dois filhos, Vitor (9 anos) e Guilherme (4 anos).

Um casal nômade, que em 13 anos de casados, já fizemos 8 mudanças de residência, e estamos nos preparando para A GRANDE MUDANÇA, pois até então eram mudanças dentro da mesma cidade.  Somos inquietos, e temos a máxima que nada pode ser tão bom que não possamos melhorar.  A nossa vida é marcada pelo dinamismo, fazendo o que para muitos é loucura, para a gente é uma forma da vida não cair na rotina, na mesmice, ou na acomodação.

Gostamos de viver a vida, conhecendo novas culturas, indo sempre a lugares diferentes, e viajando muito para termos a certeza de que o mundo é muito maior do que a vida que a gente leva, e que nossos sonhos devem ser sempre muito maiores para que tenhamos motivação diária para persegui-los.

E daí vem a necessidade de buscarmos uma experiência de vida fora do Brasil, e após decidir que o país seria o CANADÁ, restava começar a buscar transformar esse novo sonho em realidade, escolher a cidade, fazer o processo de visto, estudar inglês, estudar a nova cultura, e partir para novos desafios de vida.  Nunca tivemos nenhum problema em dar alguns passos para trás em alguns momentos, visando um futuro com diversos e grandes passos para a frente, e é isso que iremos passar a partir do momento da migração, renunciando a uma vida tranquila, empregos estáveis, calor o ano inteiro, apartamento com vista para o mar, família próximo apoiando nas nossas necessidades, babá que cuida dos nossos filhos... olhando para o futuro vendo que essas renúncias passam a ser grandes investimentos no futuro da nossa família e dos nossos dois filhos, que terão com certeza uma experiência única em suas vidas, que os farão diferenciados para viverem um futuro num mercado de trabalho competitivo, com exigências cada vez maiores.

O Início

Sempre tive vontade de ter uma experiência de residência no exterior.  Já em 2000, quando estive na Espanha para concluir meu mestrado em Gestão de Recursos Humanos, pensei junto com minha esposa em migrar para aquele país, pois estávamos recém casados, sem filhos, e existiam oportunidades profissionais e de qualificação na Europa devido a abertura do mercado europeu após a criação da Comunidade Européia.  Mas, sempre os vínculos familiares e profissionais aqui no Brasil terminavam por impedir a continuidade desse projeto.

No período de 2002 a 2004, quando estive fazendo curso no Paraguai, praticamente todos os alunos brasileiros que estavam cursando comigo o doutorado em Ciências Empresariais tiveram oportunidades de trabalho e de mudança de residência para países do Mercosul, tanto o próprio Paraguai como a Argentina e Uruguai, todos esses países com portas abertas a profissionais qualificados na área de gestão empresarial.  À época, eu e minha esposa tínhamos passado em concursos públicos recentemente, e novamente esse projeto foi adiado.

Em 2009, conversando com o casal amigo Zé Maria e Leila num aniversário de um amigo comum dos nossos filhos, eles comentaram que estavam planejando a migração para o Canadá, e me explicaram o processo como era, longo e exaustiva espera, mas, os benefícios que eles esperavam para a vida da família deles.  Chegamos em casa e pensamos que essa seria uma ótima oportunidade, e precisaria começar a pensar sobre o processo, já que o tempo normal de processamento para migração definitiva chega a mais de dois anos de espera.

Após a conclusão do doutorado de minha esposa Marcelia, em 2012, voltamos a pensar na possibilidade de migração para o Canadá ou Estados Unidos para que Marcelia pudesse fazer o PhD e tivéssemos enfim a experiência almejada em um outro país.  Após analisar as opções possíveis, e como a aplicação para o visto de residente permanente no Canadá encontra-se suspensa desde julho/2012, optamos pelo processo de aplicação com visto de estudante.